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Corrida e caminhada

É possível correr bem sem treinar corrida?

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Paulo Prudente - 04/06/2014 15:10


 

     Profissional de Educação Física, Caroline Barradas, de 32 anos, completou a etapa Rio de Janeiro da Golden Four Asics em 1:44:49. Nada demais não fosse o fato de Caroline não treinar corrida.  Caroline corre provas desde 2009 e confessa que o condicionamento vem das aulas de ginástica, spinning, kangoo jump e dança que dá em academias de Juiz de Fora. “Meu trabalho dificulta o treino específico de corrida. É através destas aulas que mantenho meu condicionamento aeróbio”.

 

     A atleta acredita que a genética ajuda, assim como o seu espírito competitivo. Seu melhor tempo numa meia maratona é 1:39:00 na Meia Maratona do Rio. “É como se fosse um dom. Eu sei correr e pronto. Tem gente que aprende sozinho a tocar instrumentos musicais, que possui habilidade para jogar futebol sem fazer escolinha. E desde novinha o único esporte que eu soube fazer foi a corrida. Sempre tive velocidade e uma boa resistência. Também tenho um lado competitivo forte, então normalmente participo com o objetivo de melhorar meus tempos. Se consigo, é uma alegria e sensação de superação sem explicação, mas se as coisas não saem como espero, confesso que me sinto muito frustrada”.

 

     Como profissional da área, Caroline sabe da importância dos treinos específicos de corrida. Treinos que certamente a fariam desenvolver a técnica, aumentar a velocidade e a resistência. O treino específico aprimora as capacidades motoras e cardiorrespiratórias de qualquer corredor. “Sei que se eu treinasse seria mais veloz, teria melhor técnica e mais resistência. Mas meu trabalho me limita um pouco”.

 

     Sem treinos específicos de corrida, mas com forte preparação cardiorrespiratória e musculação, Caroline consegue se sair bem nas corridas. Mas será que isso pode acontecer com qualquer um?  Talvez essa seja uma dúvida de muitos corredores, especialmente daqueles que por algum impedimento não consigam treinar corrida com a frequência necessária.

 

     O personal trainer Anderson Brandão, que dirige uma academia no Rio,  garante que não chega a ser raro casos como o de Caroline, mas explica que o fator genético faz a diferença em situações assim. Os músculos são formados basicamente por dois tipos fibras. As fibras do tipo 1, as oxidativas, possuem mais mitocôndrias e por isso suportam mais os estímulos aeróbios. “Essa quantidade de fibras é determinada geneticamente. Se o indivíduo faz treinos aeróbios periodicamente e tem uma boa condição cardiorrespiratória e boa resistência muscular, seu rendimento na corrida será bom”.

 

     Pablo Nunes é treinador de triathlon e também dá aulas de spinning em academia. Ele lembra que qualquer treinamento físico bem orientado gera adaptações fisiológicas, favorecendo a evolução da performance física de um indivíduo. “A prática regular e bem orientada, especificamente falando de atividades com características aeróbias, gera adaptações cardiorrespiratórias e do sistema neuromuscular”.

 

     Não há dúvidas de que um indivíduo impossibilitado de correr por lesão terá benefícios com o treinamento de ciclismo e natação e ter um condicionamento melhor na volta aos treinos se comparado com outro indivíduo – de nível semelhante de performance – que ficou parado durante a recuperação da lesão. Mas segundo o treinador, há limites. “O Princípio da Especificidade é fundamental no treinamento desportivo. Ele diz que os efeitos da sobrecarga são específicos ao tipo de sobrecarga. Isso quer dizer que para gerarmos adaptações musculares, articulares, motores e do sistema de energia a ser utilizado, você deve estimular seu organismo com o próprio exercício da modalidade a ser praticada”.

 

     Em tese, para desenvolver o máximo de condicionamento físico para corrida, o treinamento deve desenvolver não só o sistema aeróbio e anaeróbio, como também o gesto esportivo, os músculos e as articulações mais exigidos na modalidade. Pablo explica que não é raro indivíduos que não praticam corrida, mas outra atividade fundamentalmente aeróbia -  e com boa exigência de membros inferiores - , terem um bom rendimento numa meia maratona. “Mas o fato é que se esse corredor tem boa performance sem treinamento específico, poderia ser ainda melhor com uma planilha regular e bem elaborada. Só esse treinamento vai gerar adaptações para a melhora no rendimento e também para a prevenção de lesões, ao que um corredor que não treina corrida está mais exposto”.

 

     Fisiologista da Equipe Filé&Márcia Narloch, Sérgio Moreira, entre outros títulos, é mestre em bases biomédicas da Educação Física e doutor em Fisiologia do Exercício e em Ciências Aeroespaciais. Especialista no trabalho com atletas de alto rendimento, Moreira, vai direto ao ponto quanto ao treinamento de corrida. “Podemos dizer que há atletas com um talento nato para a corrida, que a genética favorece. Mas o treinamento específico certamente aprimora o desempenho. Para ser bom em corrida tem que correr. O resto é figuração”. 

 

     Marcelo Nissenbaum, profissional de Educação Física e mestre em Metabolismo, ressalta que mesmo havendo exercícios e outras modalidades esportivas que podem treinar os grupamentos musculares utilizados na corrida, nada se compara ao treino específico. Segundo ele outros fatores podem compensar, em parte, a falta do treino de corrida. “O desempenho sempre ficará limitado se o atleta não treinar de modo específico. Também há outros fatores que devem ser levados em conta, como genética, peso, biomecânica, tempo de treino em outra modalidade”.

 

     Nissenbaum lembra ainda que um atleta que não treina corrida, mas com forte preparo emocional pode se valer disso durante uma prova. “O desejo de estar ali no desafio, o pensamento positivo, a motivação, gestão do sofrimento, estratégia e até a velocidade de reação às adversidades podem suprir em parte a falta do treino específico”.

 

     Anderson Brandão ressalta que sem o treino específico a exposição a lesões é maior. Lesões que muitas vezes podem ser provocadas pela falta de costume do gesto desportivo, da mecânica da corrida. “Como o corpo não está preparado para mudanças bruscas durante a atividade, podem ocorrer lesões. Um exemplo são as situações em que o atleta perde o equilíbrio por conta de uma pisada errada ou por conta de um obstáculo. O corpo não está preparado para reagir a essa mudança, mudando a pisada e recuperando o equilíbrio”.-

 

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