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O Perfil é uma coluna mensal que tem como objetivo dar visibilidade ao trabalho e à trajetória de profissionais ligados ao esporte. Neste mês, o destaque é a atleta de mountain bike Roberta Stopa.

Lauter Nogueira: uma vida dedicada ao atletismo
 

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04/02/2014

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por Juliana Barreiros

foto-capa: Allison Ferrarezi

     

 

     Atuando como comentarista de atletismo no Sport TV e treinador de grandes atletas brasileiros, Lauter Nogueira se empenha ainda em projetos de eventos esportivos e ministra cursos fora do país para atletas de alta performance.

 

     Com mais de 30 anos de carreira, já assumiu a direção técnica da Confederação Brasileira de Triathlon nos Jogos Olímpicos de Sidney. Formado em Engenharia e posteriormente em Educação Física, o profissional foi responsável pelo treinamento de alguns atletas brasileiros que já conquistaram a vitória olímpica, como a jogadora de vôlei Jacqueline Silva.

 

     Lauter trouxe para o Brasil as chamadas assessorias de corridas, quando em 1989, criou o primeiro grupo no país. O conceito foi importado dos Estados Unidos e de alguns países da Europa e dispunha de um treinador que auxiliava os membros da equipe, criando a possibilidade de as pessoas treinarem a corrida sem serem atletas profissionais. Tal atividade se espalhou pelo país e hoje pode ser facilmente encontrada. 

 

Idade: 55 anos

 

Nasceu em: Rio de Janeiro

 

Vive em: Rio de Janeiro

 

Início de carreira: 1984

 

Atleta que admira: o esporte me emociona e me motiva. A performance esportiva talvez seja uma das coisas que mais me aproxime de debulhar em lágrimas. E alguns atletas geram isso em mim. Talvez o Paul Tergat, que venceu a São Silvestre várias vezes, seja um deles.

 

Maior sonho profissional: meu sonho mais interessante é comentar a medalha de ouro de um atleta que eu treino. É um sonho passível, já que eu continuo nas duas frentes. E um sonho mais próximo talvez seja ver um brasileiro vencer a maratona olímpica. Ainda me sinto frustrado com o caso do Vanderlei Cordeiro de Lima, que, assumindo a liderança da prova com folga em Atenas (2004), foi derrubado para fora da pista pelo espectador e ex-padre irlandês Cornelius Horan.

 

Competição mais importante que cobriu: Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. No mesmo momento que meu atleta competia no triathlon, eu estava comentando o atletismo. Tentei pelo assistir a prova pelo Ipad e não consegui. Me informava através de notícias postadas no Twitter. Nossa cobertura foi tão legal que me sinto orgulhoso de ter conseguido segurar o coração para encarar esta dupla jornada.

 

Frase-inspiração: Enil Zatopék disse, certa vez, que na vida as grandes batalhas do homem são travadas na solidão. E assim também são as corridas de longa distância. E tanto em uma quanto na outra, é a ilusão da vitória que faz a gente seguir em frente. Tenho isso como um mote para mim, não deixar que a ilusão da vitória acabe é importante para continuar guerreando.

 

MoveIt: Como sua carreira foi direcionada para o atletismo?

 

Lauter: Fui treinador de vôlei, treinei a Sandra Pires e a Jacqueline Silva, que é campeã olímpica. Fui treinador campeão do Panamericano de squash. Também já trabalhei com ciclismo, triathlon, e natação, mas a minha base mesmo vem do atletismo. O atletismo é um esporte que diz muito do físico, da fisiologia. Os grandes conceitos de treinamento vêm em função do atletismo e se espalham para outros esportes. Já fui chamado para ser preparador físico de times de futebol, mas declinei porque era uma época em que os jogadores achavam que futebol é entretenimento, e não esporte. Também é, mas primeiramente é esporte. Jamais faria duas sessões por dia de treinamento. Hoje trabalho muito com organização de evento. Além de atuar na TV e de treinar atletas, trabalho com eventos esportivos. Já há alguns anos venho fazendo isso e gera muito prazer e satisfação para mim. Ministro cursos fora do país e estou programando uma clínica para o ano que vem no Havaí, na ilha de Kona, onde acontece o Ironman. Quero fazer uma clínica de 12 dias para atletas americanos e brasileiros.

 

MoveIt: Como foi a experiência como diretor técnico e chefe da equipe de Triathlon nos Jogos Olímpicos de Sidney?

 

Lauter: Foi muito legal porque foi uma jornada dupla, e eu adoro atuar desta forma. Fui para Sidney como comentarista da TV Globo e também como treinador chefe da equipe de Triatlhon, que estava estreando nos Jogos Olímpicos em 2000. Foi uma experiência interessante porque deu para planificar o trabalho dos atletas brasileiros para que tivéssemos o que chamamos de casa cheia (três homens e três mulheres na equipe). Nós nunca mais conseguimos isso depois dos jogos de Sidney. Em 2012 também fui treinador de um atleta, o Diogo Sclebin.  E foi muito gratificante. Porque além de ter que disputar vaga com vários brasileiros e disputar colocações com o mundo inteiro, nós tivemos que brigar quatro anos com a Confederação, que tentou nos boicotar.

 

MoveIt: Qual foi o momento mais importante da sua carreira?

 

Lauter: Os Jogos Olímpicos de 2000. Eu acompanho os jogos no local, ao vivo, desde 1984, sendo que a partir de 2000 eu comecei a atuar como jornalista também e ainda era o treinador chefe da equipe de triatlhon, que estava estreando na competição. Pude participar do momento que me deu um nó na garganta que não se desfez durante muito tempo. Foi o desfile de abertura dos Jogos Olímpicos. A gente acompanha pela televisão várias vezes, mas nunca na pista, desfilando junto com a delegação brasileira. E foi um negócio sensacional. Talvez tenha sido um dos momentos mais importantes positivamente em minha carreira.

 

MoveIt: O que você considera fundamental para ser um profissional de destaque?

 

Lauter: Estudar e se qualificar todos os dias de sua vida. Nunca pensar que sabe tudo. Pois nós estamos muito longe disso. E outra coisa: usar a intuição. Aquela voz que fala só no nosso ouvido, ela normalmente está certa. Então, acredito que usar o conhecimento e a intuição faz o profissional chegar bem perto da perfeição.

 

MoveIt: Quais outras modalidades esportivas que te despertam interesse?

 

Lauter: Praticamente todas. Sou apaixonado por atletismo, triathlon, natação, natação em águas abertas, ciclismo, tênis, squash, lutas e gosto de passar informações para os praticantes desses esportes para poder ajudar de alguma forma. Por exemplo, o squash era uma modalidade que eu não tinha contato. Fui chamado para treinar a equipe do Rio de Janeiro. Com isso, fui para um clube com os melhores atletas de squash do Brasil e fiquei lá uma semana pesquisando sobre este esporte. A partir de então, me senti seguro para assumir o cargo. Em três meses eu era o treinador chefe da equipe, que foi campeã do Panamericano. Sou movido a desafios, então quanto maior o desafio, mais vontade tenho de partir para cima dele.

 

MoveIt: Nesta semana começam os jogos de inverno em Sochi. Quais são as suas apostas? Acredita que o Brasil esteja bem representado nas competições?

 

Lauter: O Brasil está bem representado. Mas ainda temos um número muito pequeno de atletas que estão indo e é pouco provável que consigam ótimas colocações. O problema é que somos um país tropical, dizem que “abençoado por Deus” (eu questiono isso), temos os nossos atletas representantes, mas não temos a cultura de acompanhar essas competições. Eu já vou participar da quarta cobertura de Jogos Olímpicos de Inverno pelo Sport TV e posso dizer que é apaixonante. Existem algumas modalidades que são sensacionais, como o cross country e o biatlo. São provas que levam o atleta à exaustão. Estou muito entusiasmado com a cobertura dos jogos de Sochi porque temos uma equipe que vai acompanhar todas as modalidades, vamos mostrar tudo que for possível. Então será a maior cobertura já feita dos Jogos Olímpicos de Inverno.

 

MoveIt: Mesmo tendo atletas super bem preparados em diversas modalidades de competição, o Brasil é conhecido por ser, basicamente, o país do futebol. Na sua visão de profissional, que lida diretamente com estes talentos, qual é a importância de darmos mais visibilidade para outros esportes que também têm capacidade de gerar destaque para o país?

 

Lauter: A monocultura do esporte no Brasil em função do futebol às vezes destrói a possibilidade de outros esportes crescerem. Mas durante muitos anos, outras modalidades reclamavam e gritavam “precisamos de verbas, precisamos de apoio”, muitos destes esportes têm muita verba atualmente, mais do que grandes países. Mesmo com muitos apoios, continuamos na mediocridade. Temos talentos em todos os esportes. A miscigenação racial aqui foi primorosa para criar atletas para todas as modalidades esportivas. Por que não somos uma potência esportiva? O Brasil hoje tem mais dinheiro para ser gasto com atletismo do que Jamaica, Quênia, Ucrânia, França e Itália juntas. E por que o atletismo no Brasil não vai para frente? Porque falta qualidade de trabalho. O atletismo no Brasil gasta uma fortuna incalculável com poucos atletas. Com a base do surgimento do atleta, que é na escola, nós não trabalhamos. Os países fortes em esporte trabalham isso diretamente na base, com políticas de esporte escolar, que é fundamental. É o esporte que vai ajudar a criança e o jovem a crescer como pessoa e como ser capaz de gerar medalhas olímpicas. Isso nós não temos, talvez este seja o nosso principal problema.

 

 

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